Empate aqui, empate ali e tudo na mesma


Onde é que já vimos isto? Pois é, numa jornada em que o Benfica perde pontos, com o empate no derby lisboeta, o principal rival na luta pelo título, o Porto, não aproveitou e voltou a falhar a aproximação à liderança. Na luta pelos lugares europeus, apenas o Braga vacilou, com derrota diante do Paços, e viu o Marítimo aproximar-se. Mais em baixo, lá bem no fundo da tabela classificativa, uma jornada perfeita para o Tondela, vencendo em casa o Nacional, novo lanterna vermelha, e encurtando distâncias para o Moreirense. Teremos novo milagre depois do da época passada?

RIO AVE 3–0 AROUCA

O Rio Ave venceu com relativa tranquilidade o Arouca, e alimenta ainda o sonho de chegar às competições europeias. Por sua vez o Arouca, depois da vitória diante do Feirense, voltou às derrotas, o seu resultado mais comum nesta época. A qualidade do Rio Ave vive muito do seu jogo exterior, seja a procurar desequilibrar pelos seus extremos ou com constantes cruzamentos para a área adversária por intermédio dos laterais. E foi precisamente num cruzamento de Rafa Soares e desviado por Jubal Júnior, para a sua própria baliza, que os vila-condenses chegaram à vantagem. O segundo golo não demorou muito a chegar e volvidos 5 minutos, livre marcado rapidamente por Tarantini para a velocidade de Gil Dias que cruzou para Krovinovic encostar à vontade. O jogo chegou ao intervalo, e o Rio Ave tinha os 3 pontos quase assegurados. Se dúvidas haviam, essas ficaram dissipadas logo no inicio da segunda parte. Cruzamento atrasado de Rafa Soares e o capitão Tarantini a aparecer bem e a finalizar de primeira, fazendo o terceiro do jogo, no seu jogo 300 pelo Rio Ave. Uma prenda merecida. Até ao final do encontro, destaque para uma jogada individual de Gil Dias que culminou com um remate à barra, naquele que seria o golo da jornada.

MARÍTIMO 3-0 BELENENSES

O Marítimo tem nos Barreiros uma fortaleza intransponível e fundamental na luta pela última vaga nas competições europeias e nesta jornada recebeu um Belenenses fragilizado, a estrear um novo treinador, Domingos Paciência. O jogo abriu praticamente com o golo maritimista, após cruzamento de Edgar Costa e com Raúl Silva a corresponder com um belo cabeceamento. A equipa do Restelo teve sempre mais bola mas nunca conseguiu criar ocasiões de golo, com a melhor tentativa a chegar através de um remate ao lado de Diogo Viana. O reatamento da partida assemelhou-se ao início do jogo, o Marítimo era a equipa que criava ocasiões de golo e o dilatar da vantagem adivinhava-se. Livre lateral, desta vez batido por Patrick Vieira, e novamente o central Raúl Silva a aparecer sozinho e a cabecear para o fundo da baliza de Cristiano. Foi o sexto golo do central, sendo já o melhor marcador da equipa insular. Até ao final do encontro, ainda houve tempo para mais um golo, com Alhassane Keita a desviar um remate de Patrick Vieira, confirmando assim a vitória da equipa verde-rubra.

TONDELA 2–0 NACIONAL

Num jogo entre os dois últimos classificados, foi o Tondela quem sorriu no final, vendo agora uma luz de esperança na luta pela permanência. Por sua vez o Nacional, com duas derrotas diante dos rivais directos, está praticamente condenado à descida de divisão. O Tondela pegou no jogo e mostrou sempre mais iniciativa, com Jhon Murillo envolvido em todas as jogadas de perigo da equipa beirã. O Nacional não conseguiu criar ocasiões de golo, por manifesta incapacidade colectiva da equipa. Os golos da turma de Pepa surgiriam já na segunda parte. O primeiro através da marca dos 11 metros, após falta de Sequeira sobre Heliardo. Jaílson não tremeu diante de Adriano Facchini. O segundo golo e a confirmação da vitória do Tondela, chegaram pela cabeça de Yordan Osorio a corresponder a um cruzamento de David Bruno. Até ao final da partida o Nacional foi incapaz de responder à desvantagem, dando uma imagem de conformismo com o seu previsível destino, a descida de divisão.

ESTORIL 3–0 V. SETÚBAL

O Estoril confirmou o bom momento que atravessa com nova vitória, chegando assim aos 31 pontos e passando a meta dos 30 pontos, tendo assim quase garantida a sua permanência na Liga. O jogo começou com um erro infantil de Luís Felipe, com uma falta desnecessária dentro da área sobre Kléber. O próprio Kléber encarregou de bater-se o penalty e o marcador estava aberto. O Vit. Setúbal vivia muito das iniciativas individuais para criar perigo junto da baliza de Moreira mas foi o Estoril que conseguiu ampliar a vantagem, já perto do intervalo, com Allano a servir o seu compatriota Carlinhos para o golo da tranquilidade. Na segunda metade o Vitória tentou reduzir a desvantagem, mas encontrou uma defesa estorilista bem organizada e não concedendo grandes ocasiões de golo. O terceiro golo chegou à passagem do minuto 80, quando os sadinos já estavam totalmente balanceados para o ataque, e a equipa da Linha aproveitou um contra-ataque para sentenciar o jogo. Desta vez foi Eduardo Teixeira a ser lançado por André Claro, e perante Bruno Varela a ter a frieza necessária para finalizar.

SPORTING 1–1 BENFICA

O jogo grande da jornada nem sempre foi bem jogado por ambas as equipas, muitos passes errados e algo faltoso. Compensou pela muita emoção e alguma polémica à mistura. Começou com um erro que já se vinha adivinhando de Ederson: má recepção da bola e posterior derrube a Bas Dost, que leu bem o lance e conseguiu antecipar-se. Penalty claro que o capitão Adrien Silva não desperdiçou. Num derby tão importante, as contas para Bota de Ouro não entram em campo. Era o pior cenário possível para o Benfica, que sentiu o golo e não conseguia sair para o ataque com qualidade. A única real ocasião de golo foi num livre directo de Grimaldo, em que Rui Patrício se opôs com uma boa defesa. A segunda parte teve bem mais motivos de interesse e ocasiões de golo. As duas primeiras pertenceram a Bas Dost, mas o holandês fez aquilo que não costuma fazer: falhar. O Benfica, sobreviveu a este inicio do Sporting e equilibrou o encontro. A primeira ameaça surgiu por intermédio de Mitroglou, com um remate dentro da área para defesa de Rui Patricio. Entretanto, já Gelson Martins tinha rasgado por completo Grimaldo. O golo do empate das águias surgiu da forma mais improvável, de livre directo e por intermédio de Lindelof, um novo especialista? Depois de chegar à igualdade o Benfica ficou satisfeito com o resultado e conseguiu defendê-lo de forma objectiva, não concedendo qualquer ocasião de golo ao Sporting. Um ponto que garantiu a liderança e que aproxima cada vez mais os encarnados do grande objectivo, o Tetra.

PAÇOS DE FERREIRA 3–1 BRAGA

O Braga voltou a perder, atrasando-se ainda mais em relação ao seu rival, na luta pelo 4º lugar. Os gverreiros atravessam uma grande crise de confiança e apesar de um bom inicio, em que dispuseram de duas boas ocasiões de golo por Pedro Santos e Stojiljkovic, viram o Paços aproveitar um mau alívio de Ricardo Ferreira para inaugurar o marcador. Luiz Phellype, que substituiu o lesionado Welthon, não desperdiçou o brinde dos bracarenses. Depois do golo sofrido, o Braga não mais conseguiu incomodar a baliza de Defendi até ao intervalo. Para piorar a tarefa dos bracarenses, ainda viram Andrézinho executar um livre na perfeição, com Matheus pregado ao chão e impotente para o travar. O melhor que o Braga conseguiu fazer foi reduzir a desvantagem por intermédio de Rodrigo Pinho, aproveitando uma má abordagem de Rafael Defendi a um cruzamento. O Braga estava agora à procura do empate, mas sem conseguir criar reais ocasiões de golo, quando acabou por sofrer um novo revés: penalty por mão na bola de Ricardo Ferreira. Luiz Phellype a não falhar e bisou no encontro. Com esta derrota, o Braga vê inclusive o 5º lugar em risco, com o Marítimo a apenas 4 pontos.

V. GUIMARÃES 2–0 BOAVISTA

O Vitória entrou no jogo já a saber do resultado do Braga e não queria desperdiçar a hipótese de se distanciar, e assim foi. Diante de um Boavista que já tem a manutenção garantida, os vimaranenses entraram muito fortes no jogo, com Texeira e Josué Sá a disporem das melhores ocasiões para inaugurar o marcador. O domínio vimaranense era total, diante um opositor muito frágil, que acusou em demasia as ausências de Idrissa Mandiang e Fábio Espinho, e o golo era uma questão de tempo. A vantagem no marcador surgiu de bola parada: canto de Hernãni, desvio de Josué Sá ao primeiro poste e na recarga apareceu Hurtado, oportuno, a inaugurar o marcador. Na segunda parte esperava-se uma reacção dos axadrezados, mas a toada da primeira manteve-se e o Vitória chegou mesmo ao segundo golo, numa trivela de Hernâni que contou com um desvio de um defesa, traindo assim Vágner. Até ao final do encontro o Guimarães, controlou e teve mais algumas ocasiões para marcar, mas Marega esteve desastrado na hora de finalizar.

PORTO 0–0 FEIRENSE

Num jogo de sentido único, o Porto desperdiçou mais uma oportunidade para se colar ao Benfica. Pela frente, e mais do que um Feirense como adversário, os dragões encontraram um guardião, Vaná, em noite de inspiração. O festival de golos falhados, começou com remates de Alex Telles e Óliver Torres defendidos por Vaná, e outro por Francisco Soares a rematar às malhas laterais. A verdade é que foi uma primeira parte pouco inspirada do Porto e por isso não causou surpresa a entrada de Otávio no reatamento. E foi o próprio Otávio quem abriu as hostilidades logo a abrir a segunda parte, jogada individual e finalização com nova boa intervenção de Vaná. Até ao final do encontro os portistas criaram inúmeras oportunidades de golo, com destaque para duas de Maxi Pereira e outra de Rui Pedro, sempre paradas pelo suspeito do costume. Nem nas bolas paradas, situação de jogo em que os azuis e brancos costumam ser fortes, mostraram acerto na hora de finalizar, pelo que o nulo foi inevitável. É o oitavo jogo em branco dos dragões nesta edição da Liga, tornando-se difícil passar de candidato ao título a Campeão.

MOREIRENSE 0–0 CHAVES

Outro jogo de sentido único, com o Moreirense a merecer melhor sorte. Num encontro muito importante para a manutenção (como aliás serão todos até ao final do campeonato) a equipa de Moreira de Cónegos não foi além do nulo diante do Chaves. A primeira parte foi recipiente das melhores jogadas do encontro e as melhores ocasiões de golo, todas do Moreirense. A primeira ocasião clara foi protagonizada por Dramé, que isolado perdeu no mano-a-mano diante de Ricardo Nunes. Já perto do final da primeira parte, um livre bem batido por Nildo Petrolina permitiu nova defesa vistosa do guardião flaviense. Na segunda metade a toada do encontro manteve-se, com o Moreirense sempre por cima no jogo, mas a jogar muito com o coração e pouco com a cabeça foi deixando que a ansiedade prejudicasse o seu jogo. Com isso, os cónegos nem sempre tomaram as melhores decisões, que no final poderiam e deveriam ter dado os três pontos.

Leave a comment

Design a site like this with WordPress.com
Get started